O seu gesto constituía uma maneira subtil de não esquecer que também se havia de transformar em pó. (Melville)
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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

À moda antiga

Hard Club, Porto (01-10-11)

Em 1998, talvez 1999, recordo uma francesinha especial no café Luso, 8 ou 9 príncipes, e uma visita ao antigo mercado Ferreira Borges onde decorria uma festa do livro em saldo. Comprei oito. E não os perdi, mesmo após uma visitinha ao falecido Meia Cave. Este sábado, encaixei primeiro na Ribeira uns príncipes, e depois uma francesinha especial, muito bem acompanhado, diga-se, antes de ruminar o fartote num concerto do Peter Murphy no Hard Club, sito no antigo mercado Ferreira Borges, devidamente reciclado, mas apenas por dentro. O cujo merece um dito: nascido em 1885, para fazer esquecer o irmão da Ribeira, parece que foi tudo e talvez mais um pouco. Está risonho e patusco, de cara lavada e frontaria animada por uma esquadra de polícia, com a breca…

sábado, 21 de maio de 2011

As traseiras que nunca enxergamos

Traseiras da Rua Pinto Bessa (entre Campanhã e Bonfim), Porto (16-05-11)

Final dos anos 80 (início de 90) do século passado: costumávamos ir ao Porto comprar as Doc Martens e sapatos de poupa, ouvir discos e andar a pé. Um dia passou-me pela cabeça ser fotógrafo por causa das ruas e dos edifícios do Porto, e assim por lá andávamos a planear enquadramentos com as mãos em concha e uma máquina imaginária. Admirava aquela decadência orgulhosamente despreocupada, irmanada à chuva e aos pombos, sempre envolta num manto cinzentíssimo que se dispersava pelo rio, que eu imaginava, aliás, sempre granítico.


domingo, 10 de abril de 2011

Campo Santo*

Rua da Alegria, Porto (04-04-11)

Às vezes perco-me pelas ruas, e é-me sempre difícil voltar à tona. Não é necessário cartografar todos os momentos, mas penso, julgo que como W.G. Sebald, que precisamos de um presente com memória e de visitar a vida de vez em quando.

* Título retirado de um livro, ou melhor, de um conjunto de textos, de W.G.Sebald, que devem aliás o seu nome a um desses textos.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sem musa ou desdém por essa papoila dos inválidos

Algures junto à rua Dr. António Bernardino de Almeida, Porto, Fevereiro 2011

Ao chegarmos à rua Dr. António Bernardino de Almeida, espreitamos muitos edifícios, nem que seja de passagem. Toda a gente sabe. Eu gosto de árvores à contra luz, insinuando-se como hematomas na paisagem e mesmo assim projectando-se para outros elementos anexos a ela: casas velhas e barracos vivaços entre sebes, pequenos muros, mesmo ao lado do (des)conhecimento das escolas. Basta saltar a cerca.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O Porto em miniaturas



Porto, Rua antónio Enes - 02-02-11

Olha: carros e ainda pequenas ruas que se cruzam, objectivamente magras e submissas a todos os devaneios. Retenho, quase sempre, o café Enes, ali numa esquina. Um espaço de singular contacto com (todos) os jornais desportivos, velhinho na sua sordidez de bairro, onde se adivinha um andar para baixo.

Um cão dormia descansado na arca dos gelados(?), muito perto de um depósito de prateleiras atrás do balcão, repleto de imagens, garrafas, copos e afins onde, quase lá em cima, uma colecção de miniaturas de moinhos e máquinas de café conspiram com o nosso olhar. A malta senta-se sempre virada para a porta. Prefiro o balcão, onde o diabo certamente as tece…

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Périplo interrompido



Porto (perto da ponte do Freixo), Madrugada , 24-01-11


Leiria, Rua Acácio de Paiva (insigne poeta), 24-01-11


Leiria, Praça Rodrigues Lobo, 24-01-11

Não sei bem como, mas deambulava anarquicamente junto à Sé de Leiria, talvez por causa do Eça de Queirós, mas provavelmente nem por isso. O Eça terá estendido a sua indolência por esses lados, supostamente provincianos à época, ali, bem o sabemos, junto à Rua da tipografia.

Anos atrás (alguns), passei três dias na cidade de Leiria, recordo-o agora, com o intuito de conhecer melhor a cidade e sobretudo o seu castelo e arrabaldes. Relembro sobretudo uma manhã de Sábado ou Domingo, já não sei, em que num passeio (com café) na Praça Rodrigues Lobo nos deparamos com uma pequena feira de velharias com livros à mistura, hoje muito em voga, segundo parece. Entre outros, adquiri (emocionado) os “ Princípios de Geografia Humana”, do Vidal de La Blache, Edições Cosmos de 1946, pela módica quantia de 1 (um) Euro. Para um tipo com nome de cabeleireiro, nada mau.