O seu gesto constituía uma maneira subtil de não esquecer que também se havia de transformar em pó. (Melville)

domingo, 18 de setembro de 2011

Postal

Ofir, Fão (14-05-11)

O primeiro dia de praia a sério foi em Maio.

domingo, 4 de setembro de 2011

Escrevia silêncios e fixava vertigens

Algures à entrada da Cidade de Braga ( Setembro 2011)

Posso estar enganado, mas Rimbaud não estaria por ali. E se estivesse teria escrito?:


"Lois des oiseaux, des troupeaux, des villageoises,
Que buvais-je, à genoux dans cette bruyère
Entiurée de tendres bois de noisetiers,
Dans un brouillard d' après-midi tiède et vert?"

domingo, 28 de agosto de 2011

Estações

Vila Nova de Cerveira (Janeiro 2011)

Sempre que passo em Vila Nova de Cerveira, recordo-me da lontra solitária que conheci no Aquamuseu do Rio Minho, penso que por volta de 2006, pouco tempo após este ser inaugurado. Interrogo-me se ainda será viva, e se estará (ainda) sozinha.
A confluência em tão curto espaço do rio, do mar e monte, desperta-nos um desejo absurdo de…viver.


Vila Nova de Cerveira (Agosto 2011)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Curvas

Buarcos, 13-08-11

Gosto de nuvens. Gosto de mar. Gosto de curvas: a curva verde em Alvalade; a curva da praia de Buarcos quando está pouca gente…

domingo, 24 de julho de 2011

Austerlitz

É claro que a fachada principal da gare de Austerlitz, eventualmente, daria uma fotografia interessante. O problema quando se chega à gare é saber onde encontrar seja o que for: as linhas de metro correspondentes; as linhas do comboio RER (comboio urbano) ou as linhas de comboio regional e nacional, dado o gigantismo e o emaranhado de cais dispostos em vários andares. Construída em 1840 e ampliada nas décadas de 1860 e 1870, interessou-me pelo seu belíssimo nome - devendo-o a uma batalha ganha por Napoleão em Austerlitz (hoje Slavkov u Brna) na República Checa, também conhecida por Batalha dos Três Imperadores – e por um livro homónimo de W.G. Sebald. Em “AUSTERLITZ” de Sebald, Austerlitz chega à gare de Austerlitz vindo da Bastilha e entra, segundo creio, literalmente pela fachada superior de uma das partes do edifico. Talvez esta.

Uma perspectiva da Gare de Austerlitz, Paris (Julho 2011)

A gare é hoje uma amálgama de estilos com telhado e estrutura novecentista. Não sendo um lugar hostil, transmite-nos uma sensação de inquietude, dir-se-ia inexplicável. Mas tudo se torna mais fácil depois de um longo passeio ali ao lado no Jardin des Plantes, ou por contraste, após um passeio junto ao complexo composto de 4 edifícios que constituem a nova Biblioteca nacional de França, ou Bibliothèque François Mitterrand, inaugurada em 1996, conjunto esse que, pelo seu gigantismo e manifesta fealdade, dificilmente se imagina como um corpo que albergue livros no seu interior, eventualidade que não conseguimos contrariar, após quilómetros de fainas em seu redor. Austerlitz, também andou por aqui. E passeou, segundo creio recordar, com uma senhora no Jardin des Plantes. Austerlitz é a demanda da memória. Austerlitz poderíamos ser nós.


Biblioteca François Miterrand, Paris (Julho 2011)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Já passou um ano


Londres, zona de Shoreditch, Julho 2010

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Fartos de enganos

in Zebreiros, Foz do Sousa (15-06-11)

Uma curva e um olhar assim ao Douro, penso: gosto disto.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Portugal em festa II

São João da Madeira, Junho 2011

Sempre gostei da antecipação da festa. Um gajo às vezes nem dormia. Aprecio esse vazio, a preparação, os pequenos nadas. Depois fica o vazio também. Os co(r)pos e as memórias dispersas do dia seguinte.

domingo, 12 de junho de 2011

O 10 de Junho e as bandeiras dos nossos avós

Castelo de Lanhoso, (10-06-11)

Aqui estou, bem no cimo do Monte do Pilar, quase deitado no – supostamente - maior monólito granítico de Portugal. Um santuário substituiu no séc.XVIII parte do castelo, alimentando-se da sua pedra. Preferiríamos o castelo todo, e mais houvesse. Entretanto, respira-se bem, entre pensamentos elevados e duas ou três famílias passeantes, onde o decoro minhoto se traduz em relações familiares de enlevado carinho: “olha-me aquele filho-da-puta, que não para quieto”- dizia a avó visivelmente orgulhosa sobre o traquina do neto…

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Portugal em festa

Vila de Arganil, 07-06-11

Chega-se a Arganil, por exemplo, percorrendo o IP3 e a IC6, viagem de vista agradável e sempre radical no governo do veículo que nos transporta. Parece que as tropas napoleónicas andaram por aqui, o que se confirma pelo elevado número de ruínas que rodeiam a vila antiquíssima. Ali, o Mont’Alto chama-nos, enquanto percorremos com o olhar e o corpo, o Largo de Ribeiro de Campos, rodeado de casario antigo, com alguns exemplares belíssimos abandonados. Percorrendo as ruas estreitas acavaladas de casas, não pude deixar de pensar num centro histórico de uma cidade grande. Não havia dúvida, estava em Portugal. E aproximava-se a festa.



Rua do Jornal de Arganil, Arganil, (07-06-11)

terça-feira, 31 de maio de 2011

A montanha que o pariu

Avepark - Zona Industrial da Gandra, S. Claudio do Barco, Caldas das Taipas, Guimarães (Maio 2011)

Os ficheiros não são secretos, apenas desconhecidos. Apesar do parque, moderno derivado a ser tecnológico, apreciamos o vazio e as espécies vegetais que crescem à toa. Por fora todo um mundo, a bem dizer: agricultura; pistas para passeadores e biclas; casas e alguns espaços avulso. Um arranjo limpinho, tipo K.

domingo, 29 de maio de 2011

Força


Largo da Porta Nova (também conhecido por Calçada), Barcelos (2011)

domingo, 22 de maio de 2011

Matamorfismos

Casa de xisto, Santiago de Bougado, Trofa (16-05-11)

Gosto de casas. E mesmo estando em movimento, sou menino para parar e ficar a olhar para uma. As casas sempre tiverem um sentido, ou mesmo vários, para serem assim ou assado. Entretanto, optamos por fechar os pensamentos em gaiolas, e compramos casas para provar que somos capazes de nos endividar e isso, claramente, será o mais próximo que estaremos do sublime….

sábado, 21 de maio de 2011

As traseiras que nunca enxergamos

Traseiras da Rua Pinto Bessa (entre Campanhã e Bonfim), Porto (16-05-11)

Final dos anos 80 (início de 90) do século passado: costumávamos ir ao Porto comprar as Doc Martens e sapatos de poupa, ouvir discos e andar a pé. Um dia passou-me pela cabeça ser fotógrafo por causa das ruas e dos edifícios do Porto, e assim por lá andávamos a planear enquadramentos com as mãos em concha e uma máquina imaginária. Admirava aquela decadência orgulhosamente despreocupada, irmanada à chuva e aos pombos, sempre envolta num manto cinzentíssimo que se dispersava pelo rio, que eu imaginava, aliás, sempre granítico.


domingo, 15 de maio de 2011

Uma rua

Rua das Tulipas, Fânzeres, Gondomar (Abril, 2011)

Poderia ser das flores. Mas é apenas das tulipas. Não que se vislumbrem quaisquer indícios daquelas em geral ou destas em particular, para bem da minha rinite alérgica. Simplesmente um caos urbanístico, onde quintais e envergonhados campos se misturam com casas e prédios, muros, ruas e ruelas, sem oportunidade sequer de se poder olhar para cima. Recordo-me de pensar:”para onde raio foram as abelhas?”…

domingo, 8 de maio de 2011

Casulo

Leiria (05-05-11)

domingo, 1 de maio de 2011

O falcão no interior de nós

Pinhel ( 2010)

Inesquecível observar o Castelo do parque da Trincheira. Imperdível uma visita ao castelo com as suas torres e o casario que o rodeiam, com vista para a Serra da Marofa. E depois o ar, o espaço aberto. A calmaria. Além fica Espanha, e por perto, Almeida, Trancoso, Guarda. Imperdoável, o esquecimento.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Restos de 2009:lembrei-me

Quiaios, abril de 2009

Abril 2009: a crise ainda tinha outro nome. Só a chegada à casa daria uma investida cinematográfica experimental, com honras em Sundance. Andámos kms a pé para encher a despensa com direito a perseguição a sangue frio, mas estava tão pouca gente que tudo parecia mentira, até a areia e o mar disponíveis…

domingo, 17 de abril de 2011

Sonhos a jacto

Costa do Valado (Oliveirinha), Aveiro (14-04-11)

Costa do Valado é uma estrada rua, cingida por algumas indústrias, habitações, campos e a sempre presente bomba de gasolina. Costa do Valado, presume-se, já terá sido uma igreja com a sua praça, aí mesmo onde começa a rua direita que nunca se sabe onde acaba; aí mesmo em frente ao actual edifício dos correios, ao lado do mais recente lugar social das nossas dores: a farmácia.

Fiquei sem saber se aquele avião a jacto na publicidade antiga junto à igreja representaria - ou se alguma vez terá representado - um lugar diferente.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Morte ao Sol

Mosteiro de Leça do Balio (13-04-11)

É claro que já sabíamos da presença da Super Bock em Leça do Balio. Entretanto, passagens antigas denunciavam espaços cognitivos interessantes, mesmo enfaixados em ideias preconcebidas. O Mosteiro de Leça do Balio desmarca-se dos nossos entretantos: belíssimo na sua simplicidade antiga (com alguns dentes postiços) acolhe-nos na sua rosácea respeitável com o sol a tiracolo. E ficamos logo aí, espantados pela porta fechada e um olhar circundante que se perde no agradecimento. Dá-se o caso que mesmo sem sol teríamos ficado à espreita.

domingo, 10 de abril de 2011

Campo Santo*

Rua da Alegria, Porto (04-04-11)

Às vezes perco-me pelas ruas, e é-me sempre difícil voltar à tona. Não é necessário cartografar todos os momentos, mas penso, julgo que como W.G. Sebald, que precisamos de um presente com memória e de visitar a vida de vez em quando.

* Título retirado de um livro, ou melhor, de um conjunto de textos, de W.G.Sebald, que devem aliás o seu nome a um desses textos.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O poço da morte

Concelho de Águeda, (Março 2011)

Recordamo-nos da JAE, que entretanto terá mudado de nome. O caminho, a descer, sempre encerrou o mesmo modelo de desenvolvimento(?), ideal para cowboys no asfalto.

Assim vai o nosso país: decrépito e em inclinação inexorável.

sábado, 2 de abril de 2011

E agora qual é o plano?

Construção dos acessos ao novo Hospital de Braga, zona do Braga Parque, São Victor, Braga (02-04-11)

Primeiro era o hipermercado - a anteceder a urbanização. Depois acudiram mais prédios. Depois ainda, mais prédios a ocuparem os espaços prometidos para o estacionamento e os tais jardins que nunca chegaram. Entretanto chegou mesmo foi o centro comercial precedendo mais prédios e a circular com as suas rotundas. Tudo isto sem qualquer hierarquia de vias, passeios, bermas ou praças. Enfim, após o repasto, caiu do céu um tal retail parque, sem que ninguém se lembrasse dos acessos. Finalmente, chega-nos o hospital, lá bem no cimo, como os antigos conventos, talvez para estar mais próximo dos deuses. E constroem-se no meio, ou melhor, por cima disto tudo os acessos necessários. Bastaria apenas um passeio matinal, por exemplo, pela rua Quinta da Armada, para perceber a amálgama alucinada que infesta toda esta área: rua sem passeios, estreita, muralhada literalmente por casas e prédios e ainda assim sempre repleta de automóveis estacionados, cortada por um cruzamento (entre outros) inventado à socapa e sem visibilidade. Por ela circulam, veículos pesados de mercadorias, de transporte, autocarros, automóveis ligeiros, seres humanos adultos e crianças a caminho da escola, cães e gatos e bicicletas e motorizadas…