Sem conseguir pensar em qualquer conspiração de idiotas que nos governe, incluo uma passagem pela rua do senhor Camões, sem grande convicção que não seja a do momento. Brito, espelha-se em Guimarães, adolescente velho e rural a amadurecer entre novos equipamentos entretidos em estórias onde se remata uma história. Além, parece que fica o Espaço Guimarães, que pena, dizem-nos, ser já Silvares. Queria dizer que não importa, que não se nota sequer, mas acho que já vou tarde para desmanchar fronteiras imaginárias.
terça-feira, 22 de março de 2011
domingo, 20 de março de 2011
Arrastando-se naquela tarde sem rasgo
Ali mesmo ao lado fica a Casa das Artes. À sua frente uma fiada de prédios novos amuralha a tal Alameda. Segue-se e talvez se encontrem logo campos, baldios, carros. Famalicão, cidade nova, sempre me intrigou: sente-se que algo palpita. Mas a sua fealdade corpórea, a sua estrutura urbana e concelhia completamente desconexa deixa-nos confundidos. Nada ali parece ter um real começo e um fim.
sábado, 19 de março de 2011
Enlevada ruína
domingo, 13 de março de 2011
Restos de 2010: a alegoria do património *
Bath é um local postiço, onde até se paga para entrar em certos jardins. O turismo massificado com máquina a tiracolo associado ao revivescer fantasmático, corrói o espírito de qualquer viajante que queira passear-se pelas suas ruas e deitar-se à sombra das suas magníficas e gigantescas árvores. Entretanto, antes disso andaram por lá os Romanos, a banhos. E depois, após um interregno em que até o banho das quartas terá sido abolido, voltaram os banhos a sério na época Georgiana, os spas e as brincadeiras junto à piscina. Desse tempo ficaram um conjunto magnífico de edifícios, que lhe conferem uma unidade arquitectónica interessante, resultante obviamente de uma planificação de conjunto. A aristocracia e a burguesia (que prosperava) devem ter agradecido.
* “Alegoria do Património”, também é uma obra de Françoise Choay, Edições 70.
terça-feira, 8 de março de 2011
Terça de Carnaval
Gosto de pensar, como Italo Calvino que “ a cidade não conta o seu passado” antes o contém “como as linhas da mão”.
Ainda hoje esta rua se denomina D. António Barroso, mas toda a gente a conhece como Rua Direita.
sábado, 5 de março de 2011
Restos de 2010: amanhecer
Recordo-o longinquamente como um amanhecer difícil cheio de beleza. A caminho do pão, mas posso estar equivocado…claro.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Cada vez mais andarilho de si próprio
Ali, a conjecturada cidade. E à volta num caos de expectativas, a sobra. Dá-se o caso de nada crescer de novo rodeando a bomba de gasolina: fábricas avulso que agora se denominam empresas; casas imaginadas por cada qual; campos ao desbarato cuja fronteira de vinhas nos enche o copo. E uma fogueira para queimar tudo. Antes isso.
terça-feira, 1 de março de 2011
Faca na liga
São Felix da Marinha - ou Granja - (01-03-11)
Vindo de muito perto da Rua da Quinta do Facas, por caminhos travessos cheguei, numa passagem sem rum que o valha, perto do mar. São Félix da Marinha, ou mesmo a Granja, desencaminharam o meu trilho (por momentos) rumo ao Porto. Avizinham-se prédios mas, entre a devassa, muitas árvores e casas de várias épocas escoltam a passagem; livros e filmes, passando da Agustina ao Oliveira a pente fino, rendilham o lugar, onde a enciclopédia social medeia cada impressão recolhida. Nada como a quinta do facas.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Sem musa ou desdém por essa papoila dos inválidos
Ao chegarmos à rua Dr. António Bernardino de Almeida, espreitamos muitos edifícios, nem que seja de passagem. Toda a gente sabe. Eu gosto de árvores à contra luz, insinuando-se como hematomas na paisagem e mesmo assim projectando-se para outros elementos anexos a ela: casas velhas e barracos vivaços entre sebes, pequenos muros, mesmo ao lado do (des)conhecimento das escolas. Basta saltar a cerca.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Avisto-me sem novidades técnicas
Nevoeiro matinal com sabor a mar. Pelo menos pareceu-me. Aveiro, assim de soslaio, merecerá várias investidas. Recordo-me de lá passar várias vezes de comboio, muitas luas atrás, com um amigo meu a debitar cenas sobre fenómenos físicos entre outros devaneios estimulantes, enquanto absorvíamos o aroma a Cacia. De repente, surgia a estação e, além, antigas fábricas assimilavam a paisagem com tijolos de burro.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Espantava-se com as corridas para atravessar a rua
Albergaria-a-Velha certamente que é uma passagem. Desde logo para quem circula de autocarro para o interior, mas não o será menos, se nos integrarmos no seu interior de pequenas veias de circulação acanhadas de carros, casas baixas a orientar o fluxo, e um centro que não desacredita o restante. A cada passo, a roupagem não nos alumia outro país que não se conheça e, apesar de tudo, a escala sendo humana, conforta o visitante apressado.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
As traseiras
24h sem internet caseira a lembrar-nos os nossos vícios mais frívolos. E aqui, por exemplo, nas traseiras de qualquer coisa, poderemos imaginar perto a Avenida da Restauração, com os seus objectos identificáveis a publicitar o leitão dos nossos devaneios. Sucede que, algures, um parque intercede pelos humanos que lá caminham ou correm, sabe-se lá bem para onde, podendo(-se) claramente observar os leitões em modorras publicitárias mais ou menos do caraças. Sinto-me sempre perdido nas rotundas, mas retenho a norma inflexível da viagem.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Um rosto de pedra assoma e mais além cresce
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
E em todo o caso ao chegar chovia
Terei sido atormentando por movimentos que de ida e volta me recordaram a adolescência. E depois, depois, nem sequer procurei a broa de Avintes para acompanhar a memória de um frango de churrasco da Furna, com bichas intermináveis. Vindo de Leça e sabe–se lá mais de onde, exauri uns quantos pensamentos junto ao parque biológico de Avintes, mais conhecido como parque biológico de Gaia, mas aí, claramente, já só mastigava afazeres.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
O caminho inexorável
Em viagem, por vezes, tudo nos é arremessado num momento. A natureza, sem pejo, projecta-se indiferente aos nossos anseios, recordando-nos o caminho infalível até ao nada: a beleza da jornada.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Às segundas quase adormeço
Algures em Avioso S. Pedro, Maia, (14-02-11)
Pânico? Algures fica o ISMAI. O mais interessante é toda a área circundante: campos; urbanizações; estradas/ruas; e, claro, o metro. De passagem, lentamente absorvi a chuva nesta amálgama com todas as saídas e mais algumas. Ao certo, a manhã tornou-se enternecedora, quando me refugiei, por momentos, num gabinete de trabalho. Era segunda-feira de todas as dores.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Ontem observando as "escadas para o céu"
Rua Dr. Roberto Alves, Santa Maria da Feira, (12-02-11)
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Perto do mar
Rua Óscar da Silva, Leça da Palmeira - antiga conserveira - (10-02-11)
Haverá uma certa beleza nisto tudo. Comi uma sandes a correr, já muito almoço tardio, perto da empresa Ramirez, a do atum da nossa imaginação, recordando-me que este povo de mundos sem mundo, é um pioneiro/artista da conservação, seja em enlatados, seja na salga/cura do bacalhau, entre outros. Falta-nos, talvez, um Melville (ou um Sebald, já agora) não apenas para contar a história, mas para vivê-la ou compreendê-la. Apesar disso, um desleixo de rapina preside aos nossos espaços, antigos e novos, notório a cada trecho e preenchendo cada interstício até ao limite do desatino.
A rua Óscar da Silva em Leça da Palmeira/Parafita, é um bom exemplo disso.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Restos de interior a fechar nos mercados
Antes de mais, recordo um fim-de-semana [muito] longínquo: borrego assado em fogão a lenha com direito a miolos à moda da casa amiga; licor de qualquer coisa, entre vários licores. E Joy Division, algures num bar rasca, com jukebox a mediar a noute. Ah!, e uma feira regional, com direito a prova de vinhos.
Desta passagem posterior, a actualizar, retive alguns destroços, derrapagens de um tempo cada vez mais moderno e solitário.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Estrangeiro
Quando parei junto à ponte vindo, por um imprevisto sóbrio, de Avintes, enamorei-me por uma casa que julgo ser do século XIX. Apeteceu-me pular para dentro do seu espaço arruinado e ao mesmo tempo infalível na sua memória aparente, qual Meursault supostamente existencial do “O Estrangeiro”, de Camus, quando este se arroja para o caminhão
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Viagem ao centro de um vidrão
Carecemos, com efeito, de um Carnão, para atirar lá para dentro alguns nossos correligionários, ou apenas deixá-los à porta…

