O seu gesto constituía uma maneira subtil de não esquecer que também se havia de transformar em pó. (Melville)

sábado, 19 de março de 2011

Enlevada ruína

Ponte românica(?), num afluente, segundo creio, do Vouga, Concelho de Águeda (18-03-11)


Ponte(s) sobre o Rio Vouga, Concelho de Águeda (18-03-11)
De passagem repetida, porque nem sempre as pontes nos levam para outro lado, dou por mim a pensar que o nosso país é bipolar: ora nos assombra sem qualquer melindre, como acima, ainda que por pouco tempo, ora nos entristece com espaços profundamente desconexos e disformes, desenraizados de qualquer conjunto. Estes ganham todo o terreno. Como diria um amigo meu, “ainda assim, prefiro as enlevadas ruínas”.

domingo, 13 de março de 2011

Restos de 2010: a alegoria do património *

Bath, Sul de Inglaterra, Património da Humanidade (Julho de 2011)

Bath, olhando para baixo, (Julho 2010)

Bath é um local postiço, onde até se paga para entrar em certos jardins. O turismo massificado com máquina a tiracolo associado ao revivescer fantasmático, corrói o espírito de qualquer viajante que queira passear-se pelas suas ruas e deitar-se à sombra das suas magníficas e gigantescas árvores. Entretanto, antes disso andaram por lá os Romanos, a banhos. E depois, após um interregno em que até o banho das quartas terá sido abolido, voltaram os banhos a sério na época Georgiana, os spas e as brincadeiras junto à piscina. Desse tempo ficaram um conjunto magnífico de edifícios, que lhe conferem uma unidade arquitectónica interessante, resultante obviamente de uma planificação de conjunto. A aristocracia e a burguesia (que prosperava) devem ter agradecido.

* “Alegoria do Património”, também é uma obra de Françoise Choay, Edições 70.

terça-feira, 8 de março de 2011

Terça de Carnaval

Rua D. António Barroso, Barcelos,  cliché não assinado, in Barcellos Revista 1910

Gosto de pensar, como Italo Calvino que “ a cidade não conta o seu passado” antes o contém “como as linhas da mão”. 

Ainda hoje esta rua se denomina D. António Barroso, mas toda a gente a conhece como Rua Direita.

sábado, 5 de março de 2011

Restos de 2010: amanhecer

São Victor, Braga (2010)

Recordo-o longinquamente como um amanhecer difícil cheio de beleza. A caminho do pão, mas posso estar equivocado…claro.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Cada vez mais andarilho de si próprio

Louro, Famalicão (04-03-11)

Ali, a conjecturada cidade. E à volta num caos de expectativas, a sobra. Dá-se o caso de nada crescer de novo rodeando a bomba de gasolina: fábricas avulso que agora se denominam empresas; casas imaginadas por cada qual; campos ao desbarato cuja fronteira de vinhas nos enche o copo. E uma fogueira para queimar tudo. Antes isso.

terça-feira, 1 de março de 2011

Faca na liga

São Felix da Marinha - ou Granja - (01-03-11)

Vindo de muito perto da Rua da Quinta do Facas, por caminhos travessos cheguei, numa passagem sem rum que o valha, perto do mar. São Félix da Marinha, ou mesmo a Granja, desencaminharam o meu trilho (por momentos) rumo ao Porto. Avizinham-se prédios mas, entre a devassa, muitas árvores e casas de várias épocas escoltam a passagem; livros e filmes, passando da Agustina ao Oliveira a pente fino, rendilham o lugar, onde a enciclopédia social medeia cada impressão recolhida. Nada como a quinta do facas.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sem musa ou desdém por essa papoila dos inválidos

Algures junto à rua Dr. António Bernardino de Almeida, Porto, Fevereiro 2011

Ao chegarmos à rua Dr. António Bernardino de Almeida, espreitamos muitos edifícios, nem que seja de passagem. Toda a gente sabe. Eu gosto de árvores à contra luz, insinuando-se como hematomas na paisagem e mesmo assim projectando-se para outros elementos anexos a ela: casas velhas e barracos vivaços entre sebes, pequenos muros, mesmo ao lado do (des)conhecimento das escolas. Basta saltar a cerca.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Avisto-me sem novidades técnicas

Da Estrada de São Bernardo, Aveiro (25-02-11)

Nevoeiro matinal com sabor a mar. Pelo menos pareceu-me. Aveiro, assim de soslaio, merecerá várias investidas. Recordo-me de lá passar várias vezes de comboio, muitas luas atrás, com um amigo meu a debitar cenas sobre fenómenos físicos entre outros devaneios estimulantes, enquanto absorvíamos o aroma a Cacia. De repente, surgia a estação e, além, antigas fábricas assimilavam a paisagem com tijolos de burro.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Espantava-se com as corridas para atravessar a rua

Albergaria-a-Velha, (22-02-11)

Albergaria-a-Velha certamente que é uma passagem. Desde logo para quem circula de autocarro para o interior, mas não o será menos, se nos integrarmos no seu interior de pequenas veias de circulação acanhadas de carros, casas baixas a orientar o fluxo, e um centro que não desacredita o restante. A cada passo, a roupagem não nos alumia outro país que não se conheça e, apesar de tudo, a escala sendo humana, conforta o visitante apressado.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

As traseiras

Mealhada, (22-02-11)

24h sem internet caseira a lembrar-nos os nossos vícios mais frívolos. E aqui, por exemplo, nas traseiras de qualquer coisa, poderemos imaginar perto a Avenida da Restauração, com os seus objectos identificáveis a publicitar o leitão dos nossos devaneios. Sucede que, algures, um parque intercede pelos humanos que lá caminham ou correm, sabe-se lá bem para onde, podendo(-se) claramente observar os leitões em modorras publicitárias mais ou menos do caraças. Sinto-me sempre perdido nas rotundas, mas retenho a norma inflexível da viagem.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Um rosto de pedra assoma e mais além cresce

Leça da Palmeira, (Fevereiro 2011)

E o mais interessante em Leça da Palmeira ou Matosinhos é esse estranho convívio - que nos parece ainda assim - forçado entre o novo e o antigo, o que não quer necessariamente dizer entre o moderno e o velho. Simplesmente, estes coabitam sem grande sentido de conjunto, relativizando-se mutuamente, até porque ali ao lado está o mar, o qual simplesmente prevalece.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

E em todo o caso ao chegar chovia

Junto ao parque biológico, Avintes, (18-02-11)

Terei sido atormentando por movimentos que de ida e volta me recordaram a adolescência. E depois, depois, nem sequer procurei a broa de Avintes para acompanhar a memória de um frango de churrasco da Furna, com bichas intermináveis. Vindo de Leça e sabe–se lá mais de onde, exauri uns quantos pensamentos junto ao parque biológico de Avintes, mais conhecido como parque biológico de Gaia, mas aí, claramente, já só mastigava afazeres.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O caminho inexorável

Em viagem, algures

Em viagem, por vezes, tudo nos é arremessado num momento. A natureza, sem pejo, projecta-se indiferente aos nossos anseios, recordando-nos o caminho infalível até ao nada: a beleza da jornada.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Às segundas quase adormeço

Algures em Avioso S. Pedro, Maia, (14-02-11)

Pânico? Algures fica o ISMAI. O mais interessante é toda a área circundante: campos; urbanizações; estradas/ruas; e, claro, o metro. De passagem, lentamente absorvi a chuva nesta amálgama com todas as saídas e mais algumas. Ao certo, a manhã tornou-se enternecedora, quando me refugiei, por momentos, num gabinete de trabalho. Era segunda-feira de todas as dores.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ontem observando as "escadas para o céu"

Rua Dr. Roberto Alves, Santa Maria da Feira, (12-02-11)

Ao chegarmos à cidade, perto do centro histórico, podemos ler, escrito na fachada de um edifício, “Escadas Para o Céu”, recordando-nos, talvez, a vocação religiosa destas terras facilmente observável nos seus mosteiros, conventos e igrejas, e em não menor grau de importância, na sua doçaria. Lá em cima, num caminho, quem sabe, também para o céu, fica o castelo da Feira onde parece que se paga 3 euros por uma visita. Este cruzar religioso e militar, assenta num outro cruzar bem antigo, de caminhos e de passagem, facto que ainda hoje se pode aferir. O lugar, está acompanhado de perto pelo Europarque e Visionarium, por exemplo, e até já teve direito a música, não se tratando, por acaso, do apropriado “Stairway To Heaven” dos Led Zeppelin, mas sim de um tema do senhor Devendra Banhart, que já tocou nestas paragens e que é mais ou menos assim:

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Controle remoto

Hora do almoço, Bristol, Inglaterra (Julho, 2010)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Perto do mar

Rua Óscar da Silva, Leça da Palmeira - antiga conserveira - (10-02-11)

Haverá uma certa beleza nisto tudo. Comi uma sandes a correr, já muito almoço tardio, perto da empresa Ramirez, a do atum da nossa imaginação, recordando-me que este povo de mundos sem mundo, é um pioneiro/artista da conservação, seja em enlatados, seja na salga/cura do bacalhau, entre outros. Falta-nos, talvez, um Melville (ou um Sebald, já agora) não apenas para contar a história, mas para vivê-la ou compreendê-la. Apesar disso, um desleixo de rapina preside aos nossos espaços, antigos e novos, notório a cada trecho e preenchendo cada interstício até ao limite do desatino.

A rua Óscar da Silva em Leça da Palmeira/Parafita, é um bom exemplo disso.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Restos de interior a fechar nos mercados



Nelas, Outubro de 2010

Antes de mais, recordo um fim-de-semana [muito] longínquo: borrego assado em fogão a lenha com direito a miolos à moda da casa amiga; licor de qualquer coisa, entre vários licores. E Joy Division, algures num bar rasca, com jukebox a mediar a noute. Ah!, e uma feira regional, com direito a prova de vinhos.

Desta passagem posterior, a actualizar, retive alguns destroços, derrapagens de um tempo cada vez mais moderno e solitário.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Estrangeiro


Águeda, (08-02-11)

Quando parei junto à ponte vindo, por um imprevisto sóbrio, de Avintes, enamorei-me por uma casa que julgo ser do século XIX. Apeteceu-me pular para dentro do seu espaço arruinado e ao mesmo tempo infalível na sua memória aparente, qual Meursault supostamente existencial do “O Estrangeiro”, de Camus, quando este se arroja para o caminhão em andamento. Por acaso estava sol, mas não matei ninguém.

E segui para Sul…

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Viagem ao centro de um vidrão


objecto identificado como sendo de barro e de dimensões razoáveis, São Victor, Braga (06-02-11)

Carecemos, com efeito, de um Carnão, para atirar lá para dentro alguns nossos correligionários, ou apenas deixá-los à porta…

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Adivinha-se lá em baixo


Bom Jesus do Monte, Braga (05-02-11)

Algum sol e seres humanos a falarem baixo.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Um gajo simples


Fafe, 03-02-11

Não foi bem a correr. Estava apenas a pensar nos livros para ler, enquanto escutava o "Easy" dos Faith no More. Eu também sou fácil, ou se calhar um gajo simples.