Ali, a conjecturada cidade. E à volta num caos de expectativas, a sobra. Dá-se o caso de nada crescer de novo rodeando a bomba de gasolina: fábricas avulso que agora se denominam empresas; casas imaginadas por cada qual; campos ao desbarato cuja fronteira de vinhas nos enche o copo. E uma fogueira para queimar tudo. Antes isso.
sexta-feira, 4 de março de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
Faca na liga
São Felix da Marinha - ou Granja - (01-03-11)
Vindo de muito perto da Rua da Quinta do Facas, por caminhos travessos cheguei, numa passagem sem rum que o valha, perto do mar. São Félix da Marinha, ou mesmo a Granja, desencaminharam o meu trilho (por momentos) rumo ao Porto. Avizinham-se prédios mas, entre a devassa, muitas árvores e casas de várias épocas escoltam a passagem; livros e filmes, passando da Agustina ao Oliveira a pente fino, rendilham o lugar, onde a enciclopédia social medeia cada impressão recolhida. Nada como a quinta do facas.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Sem musa ou desdém por essa papoila dos inválidos
Ao chegarmos à rua Dr. António Bernardino de Almeida, espreitamos muitos edifícios, nem que seja de passagem. Toda a gente sabe. Eu gosto de árvores à contra luz, insinuando-se como hematomas na paisagem e mesmo assim projectando-se para outros elementos anexos a ela: casas velhas e barracos vivaços entre sebes, pequenos muros, mesmo ao lado do (des)conhecimento das escolas. Basta saltar a cerca.
sábado, 26 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Avisto-me sem novidades técnicas
Nevoeiro matinal com sabor a mar. Pelo menos pareceu-me. Aveiro, assim de soslaio, merecerá várias investidas. Recordo-me de lá passar várias vezes de comboio, muitas luas atrás, com um amigo meu a debitar cenas sobre fenómenos físicos entre outros devaneios estimulantes, enquanto absorvíamos o aroma a Cacia. De repente, surgia a estação e, além, antigas fábricas assimilavam a paisagem com tijolos de burro.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Espantava-se com as corridas para atravessar a rua
Albergaria-a-Velha certamente que é uma passagem. Desde logo para quem circula de autocarro para o interior, mas não o será menos, se nos integrarmos no seu interior de pequenas veias de circulação acanhadas de carros, casas baixas a orientar o fluxo, e um centro que não desacredita o restante. A cada passo, a roupagem não nos alumia outro país que não se conheça e, apesar de tudo, a escala sendo humana, conforta o visitante apressado.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
As traseiras
24h sem internet caseira a lembrar-nos os nossos vícios mais frívolos. E aqui, por exemplo, nas traseiras de qualquer coisa, poderemos imaginar perto a Avenida da Restauração, com os seus objectos identificáveis a publicitar o leitão dos nossos devaneios. Sucede que, algures, um parque intercede pelos humanos que lá caminham ou correm, sabe-se lá bem para onde, podendo(-se) claramente observar os leitões em modorras publicitárias mais ou menos do caraças. Sinto-me sempre perdido nas rotundas, mas retenho a norma inflexível da viagem.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Um rosto de pedra assoma e mais além cresce
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
E em todo o caso ao chegar chovia
Terei sido atormentando por movimentos que de ida e volta me recordaram a adolescência. E depois, depois, nem sequer procurei a broa de Avintes para acompanhar a memória de um frango de churrasco da Furna, com bichas intermináveis. Vindo de Leça e sabe–se lá mais de onde, exauri uns quantos pensamentos junto ao parque biológico de Avintes, mais conhecido como parque biológico de Gaia, mas aí, claramente, já só mastigava afazeres.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
O caminho inexorável
Em viagem, por vezes, tudo nos é arremessado num momento. A natureza, sem pejo, projecta-se indiferente aos nossos anseios, recordando-nos o caminho infalível até ao nada: a beleza da jornada.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Às segundas quase adormeço
Algures em Avioso S. Pedro, Maia, (14-02-11)
Pânico? Algures fica o ISMAI. O mais interessante é toda a área circundante: campos; urbanizações; estradas/ruas; e, claro, o metro. De passagem, lentamente absorvi a chuva nesta amálgama com todas as saídas e mais algumas. Ao certo, a manhã tornou-se enternecedora, quando me refugiei, por momentos, num gabinete de trabalho. Era segunda-feira de todas as dores.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Ontem observando as "escadas para o céu"
Rua Dr. Roberto Alves, Santa Maria da Feira, (12-02-11)
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Perto do mar
Rua Óscar da Silva, Leça da Palmeira - antiga conserveira - (10-02-11)
Haverá uma certa beleza nisto tudo. Comi uma sandes a correr, já muito almoço tardio, perto da empresa Ramirez, a do atum da nossa imaginação, recordando-me que este povo de mundos sem mundo, é um pioneiro/artista da conservação, seja em enlatados, seja na salga/cura do bacalhau, entre outros. Falta-nos, talvez, um Melville (ou um Sebald, já agora) não apenas para contar a história, mas para vivê-la ou compreendê-la. Apesar disso, um desleixo de rapina preside aos nossos espaços, antigos e novos, notório a cada trecho e preenchendo cada interstício até ao limite do desatino.
A rua Óscar da Silva em Leça da Palmeira/Parafita, é um bom exemplo disso.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Restos de interior a fechar nos mercados
Antes de mais, recordo um fim-de-semana [muito] longínquo: borrego assado em fogão a lenha com direito a miolos à moda da casa amiga; licor de qualquer coisa, entre vários licores. E Joy Division, algures num bar rasca, com jukebox a mediar a noute. Ah!, e uma feira regional, com direito a prova de vinhos.
Desta passagem posterior, a actualizar, retive alguns destroços, derrapagens de um tempo cada vez mais moderno e solitário.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Estrangeiro
Quando parei junto à ponte vindo, por um imprevisto sóbrio, de Avintes, enamorei-me por uma casa que julgo ser do século XIX. Apeteceu-me pular para dentro do seu espaço arruinado e ao mesmo tempo infalível na sua memória aparente, qual Meursault supostamente existencial do “O Estrangeiro”, de Camus, quando este se arroja para o caminhão
domingo, 6 de fevereiro de 2011
Viagem ao centro de um vidrão
Carecemos, com efeito, de um Carnão, para atirar lá para dentro alguns nossos correligionários, ou apenas deixá-los à porta…
sábado, 5 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Um gajo simples
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
O Porto em miniaturas
Porto, Rua antónio Enes - 02-02-11
Olha: carros e ainda pequenas ruas que se cruzam, objectivamente magras e submissas a todos os devaneios. Retenho, quase sempre, o café Enes, ali numa esquina. Um espaço de singular contacto com (todos) os jornais desportivos, velhinho na sua sordidez de bairro, onde se adivinha um andar para baixo.
Um cão dormia descansado na arca dos gelados(?), muito perto de um depósito de prateleiras atrás do balcão, repleto de imagens, garrafas, copos e afins onde, quase lá em cima, uma colecção de miniaturas de moinhos e máquinas de café conspiram com o nosso olhar. A malta senta-se sempre virada para a porta. Prefiro o balcão, onde o diabo certamente as tece…
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Restos de 2010 com neve
Em Novembro de 2010 também esteve frio e neve: lembram-se?... A caminho de Seia, supostamente já em rota turística, deparamo-nos com algumas misérias e abandonos que polvilham as nossas andanças. Com efeito imediato, a mesma uniformidade escolta-nos a cada passo: cafés e restaurantes com roupagens semelhantes a todos os outros; pequenas ruínas industriais; campos e florestas sem definição. Casas antigas esquecidas com as sebes a servir de armadura.
A espaços, uma reminiscência inútil vota-nos a ao silêncio.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Borra de café e um silêncio mal cozinhado
domingo, 30 de janeiro de 2011
Restos de 2010 a Sul
Apesar de tudo um aroma a mar: além, a Oeste, fica Sines, a cidade planeada permanentemente adiada. O porto estratégico, a solução industrial. Debalde.
Fiquei-me por Santiago. Enquanto aguardava que o trabalho me devolvesse à contramão da vida, vagueei primeiro pela parte mais recente da cidade, a que fica no sopé de um pequeno monte onde pontifica ainda o castelo e parte da cidade antiga. Rapidamente ficou demonstrado, pela quantidade de automóveis que subjugavam esta parte da cidade (e a outra também), que a modernidade assentou arraiais definitivos por estas bandas.
Na fuga que se seguiu em direcção ao castelo (cujas origens remontam ao século XII) e cidade antiga, pensei que talvez este tempo coalhasse os cérebros das pessoas, tornando-as simultaneamente vítimas e carrascos da ausência de memória e de um presente que julgam eterno e acabado: em suma, único.
Depois o telefone terá tocado: “Estou cá em cima” – lembro-me de ter respondido.



