O seu gesto constituía uma maneira subtil de não esquecer que também se havia de transformar em pó. (Melville)
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sábado, 21 de maio de 2011

As traseiras que nunca enxergamos

Traseiras da Rua Pinto Bessa (entre Campanhã e Bonfim), Porto (16-05-11)

Final dos anos 80 (início de 90) do século passado: costumávamos ir ao Porto comprar as Doc Martens e sapatos de poupa, ouvir discos e andar a pé. Um dia passou-me pela cabeça ser fotógrafo por causa das ruas e dos edifícios do Porto, e assim por lá andávamos a planear enquadramentos com as mãos em concha e uma máquina imaginária. Admirava aquela decadência orgulhosamente despreocupada, irmanada à chuva e aos pombos, sempre envolta num manto cinzentíssimo que se dispersava pelo rio, que eu imaginava, aliás, sempre granítico.


quinta-feira, 7 de abril de 2011

O poço da morte

Concelho de Águeda, (Março 2011)

Recordamo-nos da JAE, que entretanto terá mudado de nome. O caminho, a descer, sempre encerrou o mesmo modelo de desenvolvimento(?), ideal para cowboys no asfalto.

Assim vai o nosso país: decrépito e em inclinação inexorável.

sábado, 19 de março de 2011

Enlevada ruína

Ponte românica(?), num afluente, segundo creio, do Vouga, Concelho de Águeda (18-03-11)


Ponte(s) sobre o Rio Vouga, Concelho de Águeda (18-03-11)
De passagem repetida, porque nem sempre as pontes nos levam para outro lado, dou por mim a pensar que o nosso país é bipolar: ora nos assombra sem qualquer melindre, como acima, ainda que por pouco tempo, ora nos entristece com espaços profundamente desconexos e disformes, desenraizados de qualquer conjunto. Estes ganham todo o terreno. Como diria um amigo meu, “ainda assim, prefiro as enlevadas ruínas”.